Resposta direta

Na dissolução de uma união estável, quatro eixos precisam ser separados: quando a convivência começou e terminou, qual regra patrimonial se aplica, quais ativos e dívidas pertencem ao período e como serão tratadas as questões dos filhos. Misturar tudo em uma única discussão costuma dificultar o consenso. Uma organização por temas mostra o que já está resolvido e o que ainda exige apuração.

  • imóveis e respectivas matrículas;
  • veículos e contratos de financiamento;
  • contas, investimentos e previdência privada;

Delimite as datas da convivência

Reúna escritura ou contrato, se houver, e os documentos da vida em comum. Marque mudança de residência, aquisição de bens, nascimento de filhos, separações temporárias e data em que cessou a organização familiar.

A data da separação de fato pode influenciar a análise de patrimônio e dívidas posteriores. Se houver divergência, registre os fatos de ambos os lados, sem ocultar períodos. O guia sobre documentos da união estável ajuda a montar essa cronologia.

Faça um inventário de ativos e passivos

Crie uma lista única contendo:

Para cada bem ou dívida, registre data, titular formal, origem dos recursos, saldo e documento. A titularidade no papel não encerra necessariamente a análise, e a simples existência de uma dívida no nome de um convivente não define sozinha sua comunicabilidade.

Para conferir
  • imóveis e respectivas matrículas;

  • veículos e contratos de financiamento;

  • contas, investimentos e previdência privada;

  • quotas de empresas e participações;

  • móveis de valor relevante;

  • empréstimos, cartões e obrigações;

  • bens recebidos por herança ou doação;

  • valores pagos após a separação;

  • posse e uso atual de cada item.

Regime patrimonial e contrato de convivência

Verifique se houve contrato escrito escolhendo regras patrimoniais. Na ausência, as normas aplicáveis precisam ser relacionadas ao período e às circunstâncias da união. Alterações posteriores não devem ser presumidas retroativas sem análise.

Bens anteriores, heranças, doações, sub-rogação e aquisições onerosas durante a convivência podem receber tratamentos diferentes. Use o roteiro de partilha de bens, regime e documentos antes de discutir percentuais.

Filhos: trate a rotina separadamente da divisão patrimonial

Guarda, residência, convivência, escola, saúde e alimentos devem observar o interesse da criança. Não condicione contato à entrega de bem nem use a pensão como compensação da partilha.

Liste o que já está definido e o que precisa de ajuste. Se houver consenso, formalize de maneira clara. Se houver risco de violência doméstica ou familiar, a prioridade é proteção e avaliação adequada; não trate mediação como etapa automática.

Via extrajudicial ou judicial

Quando há consenso e os requisitos são atendidos, a extinção consensual pode ser formalizada por escritura pública com assistência jurídica. As normas do CNJ foram atualizadas para admitir situações específicas envolvendo filhos menores ou incapazes quando guarda, convivência e alimentos já tiverem sido resolvidos judicialmente e constarem as declarações exigidas.

Havendo conflito sobre existência da união, datas, patrimônio, filhos ou segurança, a via judicial pode ser necessária. O tabelionato também pode exigir documentos e certidões conforme o caso.

Cuidados durante a separação

Preserve extratos e documentos antes que acessos sejam encerrados. Atualize senhas pessoais sem invadir contas alheias. Não venda, transfira, esconda ou destrua patrimônio comum. Registre despesas necessárias e pagamentos realizados após a separação.

Se houver empresa, imóvel financiado ou dívida relevante, não assine cessão ou renúncia sem entender efeitos tributários, societários e patrimoniais.

Perguntas frequentes

A união precisa ter escritura para ser dissolvida?

Não necessariamente. Pode ser preciso reconhecer e dissolver a relação, demonstrando seus fatos. A forma adequada depende de consenso e documentação.

Dívidas feitas durante a união são sempre divididas?

Não há resposta automática. Data, finalidade, regime, benefício familiar e documentação precisam ser analisados.

É possível resolver os filhos e deixar a partilha para depois?

Os temas podem ter momentos e procedimentos distintos. A decisão deve considerar urgência, segurança jurídica e efeitos de postergar a divisão.

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